Mindjacking (F.A.Q.)

 

 O que é o mindjacking?

O mindjacking é processo pelo qual uma pessoa ou instituição impede, manipula ou condiciona a capacidade de pensar lucida e autonomamente de outrém. O dreamjacking é um processo análogo que consiste em levar progressivamente as pessoas a desistirem ou a comprometerem de alguma forma os seus ideais (ideais, não ilusões….). Um especialista (o autor do presente blog), defende de forma polémica que o mindjacking é a mais velha actividade do mundo, e não a prostituição. No entanto, é por vezes difícil distinguir entre chulos e mindjackers.

 Quem são os mindjackers?

 Todas as pessoas, actuando isoladamente ou em bando (com cabecilhas e capangas), podem ser mindjackers: políticos, spin doctors, professores, jornalistas, economistas, empresários,sindicalistas, publicitários, opinion makers, dirigentes futebolísticos, bloggers, demagogos e desinformadores em geral, etc.

 O mindjacking é crime?

Ao contrário do carjacking, do airjacking, do homejacking e do bikejacking, não é considerada uma actividade criminosa, podendo, no entanto, ser muito prejudicial. O facto de não implicar necessariamente um acontecimento traumático não exclui, antes pelo contrário, efeitos nocivos. É por demais evidente que existe um vazio legal nesta matéria. Muitas vezes as vítimas nem se apercebem dos seus efeitos nefastos, não apresentam queixa, até se sentem agradecidas por alguém os libertar do fardo de pensar por si próprias. Muitas vezes, estas são abusadas desde tenra infância e podem até transformar-se em agressores (como na escandaleira da Casa Pia).

 Estou-me bem a lixar para o mindjacking, nem sequer percebo que raio é que isso é. O que devo fazer?

 Continuar a proceder como até aqui. É, certamente, uma vítima de mindjacking, ou mesmo um mindjacker, mas poderá eventualmente realizar uma vida perfeitamente normal até ao fim da sua triste vida.

4 respostas a Mindjacking (F.A.Q.)

  1. joão pereira santos diz:

    (A estrutura dialéctica deste texto levou-me a pensar em algo semelhante a um panfleto alusivo a doenças hospitalares. Eis a possível reacção de um bom português ao lê-lo:)

    À medida que lê o texto, um bom português descobre que também ele é portador desta terrível enfermidade: o mindjacking. Comenta com a mulher «Valha-me Deus! E agora? Quem vai pagar a escola dos putos!? Eu sabia… Eu sabia que tinha qualquer coisa. O filho da puta do médico é que dizia que eu não tinha nada…»

    Para acentuar a carga dramática desta situação (digna de um poema épico!), o nosso leitor apercebe-se que certamente terá contagiado outrem tornando-se mindjacker. Este Job levanta os braços aos céus e exclama: «Ai, Maria, fui eu o causador dos teus males, filha… Tu bem te queixavas dessa coisa dos ovários …»

    Subitamente, como se tratasse de um raio celeste vindo ao seu auxílio, o português descobre que estava equivocado. Não se tratava de uma doença. Era um crime. Um crime! O nosso leitor pode suspirar profundamente… Afinal de contas, a vida é bela! O nosso português rejuvenesce de alegria! Pensa em ir a Fátima agradecer a nossa senhora (a mulher impede de o fazer dizendo: «Ò Manel, deixa-te de coisas. Já tens idade para ter juízo.») O nosso português arruma as botas, mas brilha-lhe uma esperança no olhar… Não confessa a ninguém, mas sente-se intimamente feliz como se tivesse tido a sorte grande…

    Mas, como não há bela sem senão, o português torna a ficar taciturno quando descobre a grande infâmia deste crime: a sua grande concorrência. Relê, relê e tornar a reler: «políticos, spin doctors, professores, jornalistas, economistas, empresários,sindicalistas, publicitários, opinion makers, dirigentes futebolísticos, bloggers, demagogos e desinformadores em geral, etc. »…

    Desmoralizado, o português encolhe os ombros e convence-se que terá de continuar pobre «até ao fim da sua triste».

    • joão pereira santos diz:

      (A estrutura dialéctica deste texto levou-me a pensar em algo semelhante a um panfleto alusivo a doenças hospitalares. Eis a possível reacção de um bom português ao lê-lo:)

      À medida que lê o texto, um bom português descobre que também ele é portador desta terrível enfermidade: o mindjacking. Comenta com a mulher «Valha-me Deus! E agora? Quem vai pagar a escola dos putos!? Eu sabia… Eu sabia que tinha qualquer coisa. O filho da puta do médico é que dizia que eu não tinha nada…»

      Para acentuar a carga dramática desta situação (digna de um poema épico!), o nosso leitor apercebe-se que certamente terá contagiado outrem tornando-se mindjacker. Este Job levanta os braços aos céus e exclama: «Ai, Maria, fui eu o causador dos teus males, filha… Tu bem te queixavas dessa coisa dos ovários …»

      Subitamente, como se tratasse de um raio celeste vindo ao seu auxílio, o português descobre que estava equivocado. Não se tratava de uma doença. Era um crime. Um crime! O nosso leitor pode suspirar profundamente… Afinal de contas, a vida é bela! O nosso português rejuvenesce de alegria! Pensa em ir a Fátima agradecer a nossa senhora (a mulher impede de o fazer dizendo: «Ò Manel, deixa-te de coisas. Já tens idade para ter juízo.») O nosso português arruma as botas, mas brilha-lhe uma esperança no olhar… Não confessa a ninguém, mas sente-se intimamente feliz como se tivesse tido a sorte grande…

      Mas, como não há bela sem senão, o português torna a ficar taciturno quando descobre a grande infâmia deste crime: a sua grande concorrência. Relê, relê e tornar a reler: «políticos, spin doctors, professores, jornalistas, economistas, empresários,sindicalistas, publicitários, opinion makers, dirigentes futebolísticos, bloggers, demagogos e desinformadores em geral, etc. »…

      Desmoralizado, o português encolhe os ombros e convence-se que terá de continuar pobre «até ao fim da sua triste vida».

  2. dariosilva diz:

    Sinto-me mindjackado por este texto. Como me liberto para a LUZ??

    • bagaço diz:

      Excelente pergunta! Acho que a vou incluir nas FAQ. É difícil saber…não pretendo ser guru. Nunca podemos considerar a Luz como estando em oposição absoluta às Trevas, senão teremos de concluir da existência duma relação entre os dois opostos. E assim a luz permanece, de certo modo, no reino das trevas…A história da Humanidade tem funcionado segundo este mecanismo de oposição e ruptura, com os resultados trágicos que se conhecem… Mas o simples facto de questionar criticamente aquilo que lê, costuma ser um bom antídoto contra o mindjacking…

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